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Revista
CORREIO POPULAR |
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Um Certo Capitão Mário |
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Mário Cuervo, pseudônimo do médico e capitão do Exército Júlio Costa Netto, recebeu o prêmio Mário Palmério pelo livro “A Confissão”. A história é sobre a ruína de um convento numa remota aldeia espanhola. Para escrever o livro, o militar demorou três anos, incluindo pesquisas de época. A Confissão foi escrita inicialmente em espanhol, quando o autor ainda trabalhava para o Exército na fronteira da Venezuela, em 1996. Com a edição em português, em 1999, o sucesso foi grande, com destaque, inclusive, na última Bienal do Livro. Júlio, ou melhor, Mário, está com outras obras inéditas a caminho, para mostrar que não é escritor de uma obra só. |
Jornal
GAZETA MERCANTIL
São
Paulo - 07 de maio de 2000 -
Renato Anselmi de Campinas
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Bienal abre a grande vitrine de livros |
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A terceira maior
vitrine de livros do mundo também movimenta o mercado editorial de Campinas. A
realização da 16ª Bienal Internacional do Livro, de hoje a 7 de maio, no Expo
justify Norte, em São Paulo, é um momento importante para a divulgação e
vendas de obras... ... A Bienal do Livro é também uma excelente oportunidade para autores divulgarem seus trabalhos em tardes e noites de autógrafos. O escritor de Campinas, Mário Cuervo - pseudônimo do médico e capitão Júlio Costa Netto - faz a sua estréia na Bienal, com o romance histórico “A Confissão” que será autografado no estande da Editora Alba, no dia 6, a partir das 18h. “É uma chance para ser conhecido por um público maior”, diz ele. Essa obra - lançada no ano passado - foi vencedora, em 1998, do “Prêmio Mário Palmério”, promovido pela Editora Alba, classificando-se em primeiro lugar na categoria romance. Entre narrativas e confissões, sonhos premonitórios e delírios de alucinação, o livro faz os leitores viajarem no tempo e lugares típicos, entre aldeias, igrejas, cemitérios e convento. A história, ambientada na Espanha, é relatada por personagens distintos: um escritor em 1936 e uma monja de convento e um padre no início do século XIX. “É o meu melhor trabalho, minha obra prima, em que confio no sucesso editorial”, afirma o autor que já publicou o romance Terra Sem Deus” e o livro de poemas “O Pescador de Sonhos”- assinado por Júlio Costa Netto. “Devido à diferença de estilos, o pseudônimo só vai ser usado em romances”, revela ele. Aliás, Mário Cuervo é uma homenagem ao poeta do simbolismo mineiro, do início do século, Edgard da Matta Machado que assinava as suas colunas no jornal O Estado de São Paulo como Mário Corvo. |
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Mário Cuervo aposta em sua nova obra na Bienal do Livro |
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"A Confissão" foi escrita originalmente em espanhol. O autor é carioca residente em Campinas e com laços no sul de Minas. Posteriormente traduzida para o português, a obra foi lançada pela Editora Alba no final de 1998 e ganhou o "Prêmio Mário Palmério", classificada em primeiro lugar na categoria romance. É uma história intrigante e envolvente relatada alternadamente em dois períodos por personagens distintos: um escritor em 1936 e uma monja de convento e um padre no início do século XIX. Entre narrativas e confissões, sonhos premonitórios e delírios de alucinação, os leitores podem viajar no tempo e lugares típicos, entre aldeias, igrejas e cemitérios, e aguçar a curiosidade sobre o mistério de lendas e milagres em torno de ruínas e histórias de um antigo convento e suas monjas. A linguagem simples, fluente e despojada,
com referências históricas, religiosas e sociais, permitem que se
absorva o conteúdo do volume de pouco mais de 200 páginas em algumas
horas de atenciosa leitura. "É o meu melhor trabalho, minha obra
prima, em que confio no sucesso editorial", afirma o autor, sem falsa
modéstia. A história começa a partir do encontro de uma parede em ruínas,
às vésperas da Guerra Civil Espanhola. Um escritor, atormentado por
sonhos e visões, inicia a pesquisa de fatos acontecidos no interior de um
convento espanhol durante a primeira metade do século XIX. Uma
reconstituição de todo um modo de vida desaparecido, seus pensamentos e
preconceitos. Sobre o autor Mário Cuervo é pseudônimo literário do
escritor Júlio Costa Netto, nascido no Rio de Janeiro em 1962. Formado em
Medicina na UERJ, em 1986, tornou-se oficial do Quadro de Saúde do Exército
Brasileiro em 1987. Antes de "A Confissão" publicou o romance
"Terra Sem Deus", e diversos poemas em antologias poéticas,
assinou um musical infantil - "Álbum de Meninas" - em parceria
com a compositora Paz Helena, e publicou por seis meses uma coluna diária
de crônicas no jornal venezuelano El Tepuy. É membro efetivo da Academia
Tricordiana de Letras e Artes. "A Confissão" está à venda na
Livraria Pontes e nas cidades do Sul de Minas, |
Jornal HOJE EM DIA
Belo Horizonte, de 08/12/99Manoel
- Hygino dos Santos
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Vem
do Sul |
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O escritor consegue manter presa a atenção do leitor do princípio
ao fim da narrativa graças a adoção de uma técnica que diria
cinematográfica. Alejandro Cuervo, o protagonista, nos primeiros meses de
1936, chega a um povoado que – segundo a crônica – fora, em tempos
pretéritos, um lugar de peregrinação. Aparentemente, um grupo de casas
de camponeses sem qualquer outro motivo para despertar interesse ou que o
diferenciasse dos numerosos outros disseminados pelo território.
Alojado modestamente pelas circunstâncias do meio, Cuervo começa
a descobrir sítios e personagens impensados. Estabelece contato com o
cura, visita a pequena igreja, descobrindo, meio crédulo, meio incrédulo,
que há ali muito mais do que inicialmente pensara. Uma parede destruída
no cimo do lugarejo surge como a primeira pista de uma história que tem
liames profundos com a região e a população. Cuervo, que é escritor,
sente-se impelido a pesquisar o que existe e o que existiu.
Há uma trama bem urdida, estabelecendo o suspense que atrai o
leitor e o prende ao longo de mais de duzentas páginas. Erguem-se do
passado ignoto personagens que dão vida ao enredo. O padre, enfim, conta
o que deparara em documentos descobertos, vinculados à lenda dolorosa
sobre o convento que abrigara religiosas: “Um prato apetitoso, um escândalo
dentro de uma casa religiosa, num lugar que deveria ser santo e se tornou
um autêntico... bordel! Por quê, senhores? Por que divulgar uma história
desse teor? Por que levantar a poeira de um segredo que o próprio tempo
se encarregou de sepultar? Por que não o mantermos assim, pois? Deixemos
os mortos enterrar seus mortos.”
O romance é a descrição desse segredo em conventual. Que o autor
relata com propriedade e linguagem acessível usando a melhor técnica
narrativa. Justifica, assim, o primeiro prêmio que conquistou no ano
passado, em honra de um excelente ficcionista, como o foi Mário Palmério. |
Jornal DIÁRIO DO POVO
Campinas, 18 de abril de 2000 - Marina Silva
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Romance Premiado |
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A ruína de um convento numa remota aldeia espanhola é o ponto de
partida do romance histórico A
Confissão, de Mário Cuervo (pseudônimo de Júlio Costa Netto),
livro que já recebeu o Prêmio Mário Palmério, promovido pela editora
mineira Alba, e promete ser a grande sensação da Bienal Internacional do
Livro de São Paulo.
O romance promete mesmo. A história, muito bem amarrada e com
vocabulário rico, é carregada de mistério e prende o leitor do início
ao fim. Conta, através de dois narradores, os segredos contundentes de um
convento no início do século passado. Um dos narradores é o escritor
Alejandro Cuervo, , que chega à aldeia de G... e depara com insólitos
habitantes e uma lenda que envolve duas monjas. O segundo narrador é a
noviça Consuelo, que revela em confissão toda a verdade sobre a vida no
monastério.
A partir dos relatos, feitos no passado e no presente, de um e
outro narrador, a história vai sendo costurada e o quebra-cabeça vai
tomando forma, não sem antes levar o leitor numa viagem misteriosa e
cheia de suspense, que tem como pano de fundo o proibido amor entre uma
monja e um oficial militar.
Para situar o leitor nos dois tempos, o autor usou diferentes tipos
de letras.
A realização do livro consumiu três anos de pesquisas de época.
“Um romance histórico não pode ter falhas”, conta o escritor, que é
capitão e médico do Exército e mora há três anos em Campinas. A base
dos estudos foram basicamente o tratamento dispensado às mulheres naquela
época e as diferentes guerras que assolaram a Espanha nos séculos 19 e
20, como a invasão napoleônica e a Guerra Civil Espanhola.
A história foi escrita primeiramente, em 1996, na língua
espanhola. Júlio fez isso como exercício de aprendizado já que estava
trabalhando para o Exército na fronteira venezuelana, onde ficou de 1989
a 1991. Em 1999, fez a primeira edição do livro em português e está
bastante confiante no sucesso da obra. No dia 6 de maio, o autor estará
no estande da editora Alba, na Bienal do Livro, para autógrafos.
Júlio tem 37 anos e escreve desde os 17. Hoje usa o pseudônimo Mário
Cuervo numa alusão ao codinome Mário Corvo usado pelo poeta Edgard da
Matta Machado, que fez sucesso no início deste século. Como Mário
Cuervo Júlio também assinou crônicas no jornal venezuelano El Tepuy. A
Confissão é seu segundo romance. O primeiro foi Terra sem Deus, em 1991, com seu próprio nome e pela editora Líder.
Em 1999 escreveu também o livro de poesias O
Pescador de Sonhos, que ficou como quarto colocado no Prêmio Murilo
Mendes. Escreveu também o musical infantil Álbum
de Meninas, que foi representado no Teatro Óperon, no Rio de Janeiro,
cidade onde nasceu. O autor ainda tem obras inéditas, como Viajante da Utopia, de poesias, e O Armagedom, livro que narra um pesadelo futurista na linha da ficção científica, e Tião Canivete, um romance urbano que trata da marginalidade. “Vou esperar o retorno editorial de A Confissão para editar essas novas obras”, comenta Júlio. Ele está há 13 anos no Exército. Se formou em Medicina na Universidade Estadual do Rio de janeiro (UERJ) e prestou a Escola de Saúde do Exército, um ano depois de tornando oficial de carreira.
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CRÍTICAS
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“A linguagem
correta de Cuervo, seu domínio do vocabulário, sua capacidade criadora e sua
sensibilidade poética já haviam conquistado admiradores em todo o país. Suas
qualidades de poeta, especialmente sonetista, fizeram-no merecedor de inúmeros
prêmios. Neste romance, ambientado às vésperas da Guerra Civil
anti-franquista, a fabulação perfeita, o controle da narrativa, a
autenticidade dos diálogos, a estrutura da trama confirmam os méritos
reconhecidos do jovem escritor e atestam seus dons de romancista.”
Aníbal
Albuquerque, in Prefácio da 1ª edição de “A Confissão”
“...não o
seduzem as liberdades da vanguarda e dos cacoetes modernos que se lêem nos
livro de poesia publicados, e a maioria incensada pela mídia... uma poesia
madura. Consciente do artesanato, da estrutura do verso, com sensibilidade
requintada e capaz de transmitir ao leitor a mágica, a sutileza, o imponderável
encantamento de sua mensagem metrificada e rimada...”
Cícero
Acaiaba, in Prefácio da 1ª edição de “O Pescador de Sonhos”
“...O livro
reúne uma coleção de textos poéticos da melhor qualidade de autor aplaudido
e premiado nacionalmente ...seus versos são simples e densos, belos e musicais,
como convém à melhor poesia... sua linguagem correta, seu domínio do vocabulário,
sua capacidade criadora e sua sensibilidade... o fizeram merecedor das inúmeras
premiações literárias que tem conquistado.” Aníbal Albuquerque, in 1ª edição de “O Pescador de Sonhos”
"Uma
poesia de primeira linha, com uma linguagem poética bela, compreensível no
universo da interpretação do texto poético, com muito equilíbrio quanto à
organização vocabular par o estabelecimento de uma comunicação compreensível
e ingerível, nos parâmetros estabelecidos dentro de uma forma-fixa e uma
forma-livre do verso... Francisco de Assis Nascimento, in FRANCISLETRAS, ano V, nº XXV, Goiânia, abril de 2000 |
Você me proporcionou grande prazer ofertando-me seu romance “Terra sem Deus”.
Não tanto pelo gesto, mas sobretudo pelo conteúdo, forte, atraente, bem
realizado. Não é fácil abordar a miséria social como tema de ficção. Os enfoques
tem sido numerosos, tanto na literatura como no cinema.
Entretanto, você conseguiu realizar uma obra ágil, comovente, bem costurada,
quer na dimensão psicológica, quer na dimensão social.
Evidentemente você possui boa intuição, sem o que não pode haver romancista. E o
que é vantajoso: você conhece o idioma. Hoje esse trunfo não é freqüente. Mais:
seus personagens possuem unidade existencial, embora eu lamentasse sua entrada
pessoal no romance, na pele daquele bêbado, invectivando as injustiças sociais,
por ocasião da morte de Severino (p. 32).
Também o capítulo XV, na minha opinião, mereceria uma impiedosa tesourada. Ele
está sobrando na história. É um desvio.
Quanto ao mais, você me proporcionou o prazer de conhecer um estreante com
lisonjeiras possibilidades, se não se dispensar de ler os grandes romancistas
universais.
Recomendo-me ao seu amigo Duailibe, que o trouxe ao meu gabinete, subscrevo-me
parabenizando-o,