Revista CORREIO POPULAR
São Paulo - 28 de maio de 2000 - parte integrante do jornal Correio Popular

Um Certo Capitão Mário

Mário Cuervo, pseudônimo do médico e capitão do Exército Júlio Costa Netto, recebeu o prêmio Mário Palmério pelo livro “A Confissão”. A história é sobre a ruína de um convento numa remota aldeia espanhola. Para escrever o livro, o militar demorou três anos, incluindo pesquisas de época. A Confissão foi escrita inicialmente em espanhol, quando o autor ainda trabalhava para o Exército na fronteira da Venezuela, em 1996. Com a edição em português, em 1999, o sucesso foi grande, com destaque, inclusive, na última Bienal do Livro. Júlio, ou melhor, Mário, está com outras obras inéditas a caminho, para mostrar que não é escritor de uma obra só.

 

Jornal GAZETA MERCANTIL
São Paulo - 07 de maio de 2000 - Renato Anselmi de Campinas

Bienal abre a grande vitrine de livros

   

      A terceira maior vitrine de livros do mundo também movimenta o mercado editorial de Campinas. A realização da 16ª Bienal Internacional do Livro, de hoje a 7 de maio, no Expo justify Norte, em São Paulo, é um momento importante para a divulgação e vendas de obras...

     ... A Bienal do Livro é também uma excelente oportunidade para autores divulgarem seus trabalhos em tardes e noites de autógrafos. O escritor de Campinas, Mário Cuervo - pseudônimo do médico e capitão Júlio Costa Netto - faz a sua estréia na Bienal, com o romance histórico “A Confissão” que será autografado no estande da Editora Alba, no dia 6, a partir das 18h. “É uma chance para ser conhecido por um público maior”, diz ele. Essa obra - lançada no ano passado - foi vencedora, em 1998, do “Prêmio Mário Palmério”, promovido pela Editora Alba, classificando-se em primeiro lugar na categoria romance.

     Entre narrativas e confissões, sonhos premonitórios e delírios de alucinação, o livro faz os leitores viajarem no tempo e lugares típicos, entre aldeias, igrejas, cemitérios e convento. A história, ambientada na Espanha, é relatada por personagens distintos: um escritor em 1936 e uma monja de convento e um padre no início do século XIX. “É o meu melhor trabalho, minha obra prima, em que confio no sucesso editorial”, afirma o autor que já publicou o romance Terra Sem Deus” e o livro de poemas “O Pescador de Sonhos”- assinado por Júlio Costa Netto. “Devido à diferença de estilos, o pseudônimo só vai ser usado em romances”, revela ele. Aliás, Mário Cuervo é uma homenagem ao poeta do simbolismo mineiro, do início do século, Edgard da Matta Machado que assinava as suas colunas no jornal O Estado de São Paulo como Mário Corvo.

 

Mário Cuervo aposta em sua nova obra na Bienal do Livro



Um romance ambientado em algum lugar da Espanha no passado, envolvendo um mistério histórico da fictícia aldeia de G... e personagens curiosos, é a maior aposta do escritor Mário Cuervo para a Bienal do Livro, e um dos melhores representantes da literatura de qualidade que se produz no interior do Brasil.

"A Confissão" foi escrita originalmente em espanhol. O autor é carioca residente em Campinas e com laços no sul de Minas. Posteriormente traduzida para o português, a obra foi lançada pela Editora Alba no final de 1998 e ganhou o "Prêmio Mário Palmério", classificada em primeiro lugar na categoria romance.

É uma história intrigante e envolvente relatada alternadamente em dois períodos por personagens distintos: um escritor em 1936 e uma monja de convento e um padre no início do século XIX. Entre narrativas e confissões, sonhos premonitórios e delírios de alucinação, os leitores podem viajar no tempo e lugares típicos, entre aldeias, igrejas e cemitérios, e aguçar a curiosidade sobre o mistério de lendas e milagres em torno de ruínas e histórias de um antigo convento e suas monjas.

A linguagem simples, fluente e despojada, com referências históricas, religiosas e sociais, permitem que se absorva o conteúdo do volume de pouco mais de 200 páginas em algumas horas de atenciosa leitura. "É o meu melhor trabalho, minha obra prima, em que confio no sucesso editorial", afirma o autor, sem falsa modéstia. A história começa a partir do encontro de uma parede em ruínas, às vésperas da Guerra Civil Espanhola. Um escritor, atormentado por sonhos e visões, inicia a pesquisa de fatos acontecidos no interior de um convento espanhol durante a primeira metade do século XIX. Uma reconstituição de todo um modo de vida desaparecido, seus pensamentos e preconceitos.
 

Sobre o autor

Mário Cuervo é pseudônimo literário do escritor Júlio Costa Netto, nascido no Rio de Janeiro em 1962. Formado em Medicina na UERJ, em 1986, tornou-se oficial do Quadro de Saúde do Exército Brasileiro em 1987. Antes de "A Confissão" publicou o romance "Terra Sem Deus", e diversos poemas em antologias poéticas, assinou um musical infantil - "Álbum de Meninas" - em parceria com a compositora Paz Helena, e publicou por seis meses uma coluna diária de crônicas no jornal venezuelano El Tepuy. É membro efetivo da Academia Tricordiana de Letras e Artes. "A Confissão" está à venda na Livraria Pontes e nas cidades do Sul de Minas,
distribuído pela Editora Alba.

 

Jornal HOJE EM DIA
Belo Horizonte, de 08/12/99Manoel - Hygino dos Santos

Vem do Sul


           “...Ao fazer o registro, não deixo também de referir-me ao Prêmio Mário Palmério de 1998, que atribuiu o galardão maior ao romance “A Confissão”, do escritor carioca Júlio Costa Neto, de  Campinas, que participou com o pseudônimo de Mário Cuervo. São indiscutíveis os méritos narrativos do ficcionista, que zelou pela reconstituição de períodos marcantes da história espanhola, com ênfase o antecedente à Guerra Civil, que terminou por conduzir Francisco Franco ao poder.

            O escritor consegue manter presa a atenção do leitor do princípio ao fim da narrativa graças a adoção de uma técnica que diria cinematográfica. Alejandro Cuervo, o protagonista, nos primeiros meses de 1936, chega a um povoado que – segundo a crônica – fora, em tempos pretéritos, um lugar de peregrinação. Aparentemente, um grupo de casas de camponeses sem qualquer outro motivo para despertar interesse ou que o diferenciasse dos numerosos outros disseminados pelo território.

            Alojado modestamente pelas circunstâncias do meio, Cuervo começa a descobrir sítios e personagens impensados. Estabelece contato com o cura, visita a pequena igreja, descobrindo, meio crédulo, meio incrédulo, que há ali muito mais do que inicialmente pensara. Uma parede destruída no cimo do lugarejo surge como a primeira pista de uma história que tem liames profundos com a região e a população. Cuervo, que é escritor, sente-se impelido a pesquisar o que existe e o que existiu.

            Há uma trama bem urdida, estabelecendo o suspense que atrai o leitor e o prende ao longo de mais de duzentas páginas. Erguem-se do passado ignoto personagens que dão vida ao enredo. O padre, enfim, conta o que deparara em documentos descobertos, vinculados à lenda dolorosa sobre o convento que abrigara religiosas: “Um prato apetitoso, um escândalo dentro de uma casa religiosa, num lugar que deveria ser santo e se tornou um autêntico... bordel! Por quê, senhores? Por que divulgar uma história desse teor? Por que levantar a poeira de um segredo que o próprio tempo se encarregou de sepultar? Por que não o mantermos assim, pois? Deixemos os mortos enterrar seus mortos.”

            O romance é a descrição desse segredo em conventual. Que o autor relata com propriedade e linguagem acessível usando a melhor técnica narrativa. Justifica, assim, o primeiro prêmio que conquistou no ano passado, em honra de um excelente ficcionista, como o foi Mário Palmério.

 

 

Jornal DIÁRIO DO POVO
Campinas, 18 de abril de 2000 - Marina Silva

 

Romance Premiado

             A ruína de um convento numa remota aldeia espanhola é o ponto de partida do romance histórico A Confissão, de Mário Cuervo (pseudônimo de Júlio Costa Netto), livro que já recebeu o Prêmio Mário Palmério, promovido pela editora mineira Alba, e promete ser a grande sensação da Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

            O romance promete mesmo. A história, muito bem amarrada e com vocabulário rico, é carregada de mistério e prende o leitor do início ao fim. Conta, através de dois narradores, os segredos contundentes de um convento no início do século passado. Um dos narradores é o escritor Alejandro Cuervo, , que chega à aldeia de G... e depara com insólitos habitantes e uma lenda que envolve duas monjas. O segundo narrador é a noviça Consuelo, que revela em confissão toda a verdade sobre a vida no monastério.

            A partir dos relatos, feitos no passado e no presente, de um e outro narrador, a história vai sendo costurada e o quebra-cabeça vai tomando forma, não sem antes levar o leitor numa viagem misteriosa e cheia de suspense, que tem como pano de fundo o proibido amor entre uma monja e um oficial militar.             Para situar o leitor nos dois tempos, o autor usou diferentes tipos de letras.

            A realização do livro consumiu três anos de pesquisas de época. “Um romance histórico não pode ter falhas”, conta o escritor, que é capitão e médico do Exército e mora há três anos em Campinas. A base dos estudos foram basicamente o tratamento dispensado às mulheres naquela época e as diferentes guerras que assolaram a Espanha nos séculos 19 e 20, como a invasão napoleônica e a Guerra Civil Espanhola.

            A história foi escrita primeiramente, em 1996, na língua espanhola. Júlio fez isso como exercício de aprendizado já que estava trabalhando para o Exército na fronteira venezuelana, onde ficou de 1989 a 1991. Em 1999, fez a primeira edição do livro em português e está bastante confiante no sucesso da obra. No dia 6 de maio, o autor estará no estande da editora Alba, na Bienal do Livro, para autógrafos.

            Júlio tem 37 anos e escreve desde os 17. Hoje usa o pseudônimo Mário Cuervo numa alusão ao codinome Mário Corvo usado pelo poeta Edgard da Matta Machado, que fez sucesso no início deste século. Como Mário Cuervo Júlio também assinou crônicas no jornal venezuelano El Tepuy. A Confissão é seu segundo romance. O primeiro foi Terra sem Deus, em 1991, com seu próprio nome e pela editora Líder. Em 1999 escreveu também o livro de poesias O Pescador de Sonhos, que ficou como quarto colocado no Prêmio Murilo Mendes. Escreveu também o musical infantil Álbum de Meninas, que foi representado no Teatro Óperon, no Rio de Janeiro, cidade onde nasceu.

            O autor ainda tem obras inéditas, como Viajante da Utopia, de poesias, e O Armagedom, livro que narra um pesadelo futurista na linha da ficção científica, e Tião Canivete, um romance urbano que trata da marginalidade. “Vou esperar o retorno editorial de A Confissão para editar essas novas obras”, comenta Júlio. Ele está há 13 anos no Exército. Se formou em Medicina na Universidade Estadual do Rio de janeiro (UERJ) e prestou a Escola de Saúde do Exército, um ano depois de tornando oficial de carreira.

 

 

CRÍTICAS

“A linguagem correta de Cuervo, seu domínio do vocabulário, sua capacidade criadora e sua sensibilidade poética já haviam conquistado admiradores em todo o país. Suas qualidades de poeta, especialmente sonetista, fizeram-no merecedor de inúmeros prêmios. Neste romance, ambientado às vésperas da Guerra Civil anti-franquista, a fabulação perfeita, o controle da narrativa, a autenticidade dos diálogos, a estrutura da trama confirmam os méritos reconhecidos do jovem escritor e atestam seus dons de romancista.”  

Aníbal Albuquerque, in Prefácio da 1ª edição de “A Confissão”  

 

“...não o seduzem as liberdades da vanguarda e dos cacoetes modernos que se lêem nos livro de poesia publicados, e a maioria incensada pela mídia... uma poesia madura. Consciente do artesanato, da estrutura do verso, com sensibilidade requintada e capaz de transmitir ao leitor a mágica, a sutileza, o imponderável encantamento de sua mensagem metrificada e rimada...”  

Cícero Acaiaba, in Prefácio da 1ª edição de “O Pescador de Sonhos”  

 

“...O livro reúne uma coleção de textos poéticos da melhor qualidade de autor aplaudido e premiado nacionalmente ...seus versos são simples e densos, belos e musicais, como convém à melhor poesia... sua linguagem correta, seu domínio do vocabulário, sua capacidade criadora e sua sensibilidade... o fizeram merecedor das inúmeras premiações literárias que tem conquistado.”

Aníbal Albuquerque, in 1ª edição de “O Pescador de Sonhos”

 

"Uma poesia de primeira linha, com uma linguagem poética bela, compreensível no universo da interpretação do texto poético, com muito equilíbrio quanto à organização vocabular par o estabelecimento de uma comunicação compreensível e ingerível, nos parâmetros estabelecidos dentro de uma forma-fixa e uma forma-livre do verso...
Um poeta completo que sabe as dimensões do seu verso no universo da poesia brasileira tão qualificada e em mãos tão capacitadas e vivas."

Francisco de Assis Nascimento, in FRANCISLETRAS, ano V, nº XXV, Goiânia, abril de 2000

Você me proporcionou grande prazer ofertando-me seu romance “Terra sem Deus”. Não tanto pelo gesto, mas sobretudo pelo conteúdo, forte, atraente, bem realizado. Não é fácil abordar a miséria social como tema de ficção. Os enfoques tem sido numerosos, tanto na literatura como no cinema.
Entretanto, você conseguiu realizar uma obra ágil, comovente, bem costurada, quer na dimensão psicológica, quer na dimensão social.
Evidentemente você possui boa intuição, sem o que não pode haver romancista. E o que é vantajoso: você conhece o idioma. Hoje esse trunfo não é freqüente. Mais: seus personagens possuem unidade existencial, embora eu lamentasse sua entrada pessoal no romance, na pele daquele bêbado, invectivando as injustiças sociais, por ocasião da morte de Severino (p. 32).
Também o capítulo XV, na minha opinião, mereceria uma impiedosa tesourada. Ele está sobrando na história. É um desvio.
Quanto ao mais, você me proporcionou o prazer de conhecer um estreante com lisonjeiras possibilidades, se não se dispensar de ler os grandes romancistas universais.
Recomendo-me ao seu amigo Duailibe, que o trouxe ao meu gabinete, subscrevo-me parabenizando-o,

Pe. João Mohana - São Luís, 9 de agosto de 1991